Tradição e beleza: a união de culturas no artesanato catarinense




Um exemplo de bilro
Não é só pelas belezas naturais que o estado catarinense é conhecido. Várias riquezas originadas a partir da cultura trazida pelos portugueses e por outras nacionalidades também compõem os atrativos da região. Em Florianópolis a prática do artesanato é um primor à parte, já que mescla modernidade à tradicional cultura açoriana, perpetuada de geração em geração. Antiguidades, mosaicos, trabalhos em palha, cestaria, cerâmica figurativa ou trançados de fibras naturais, pinturas e entalhe em madeira são algumas das inúmeras formas artesanais encontradas na ilha da magia. A renda de Bilro e a cerâmica são alguns exemplos das formas artísticas praticadas no estado.
Também conhecida como renda de almofadas, a renda de bilro foi originada no século XV na Itália, espalhando-se posteriormente por toda a Europa. Foram os imigrantes portugueses os responsáveis por trazer a técnica ao Brasil. Os bilros, pequenas peças de madeira, são manejados simultaneamente e aos pares, para dar forma ao produto final, que podem ser capas para almofadas, roupas, cobertores, entre outros. Além disso, a renda tramóia e renda de arco, também executadas com o auxílio de bilros, são outras técnicas conhecidas em Florianópolis. Os bairros Lagoa da Conceição, Ingleses, Campeche, Santo Antônio de Lisboa e Ribeirão da Ilha são alguns dos pontos turísticos da cidade onde é possível conferir o trabalho das rendeiras.
Já as cerâmicas aqui produzidas utilizam um sistema de fabricação semelhante ao comumente utilizado nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. A modelagem do objeto a ser feito é executada pela experiência e dedicação das mãos do oleiro, produzindo o que há de mais bonito, tendo como base um simples material, o barro. Tanto os trabalhos em cerâmica quanto em renda são mais facilmente encontrados no litoral catarinense.

A artesã Maria de Fátima lida com a arte em vidro há dez anos
Com o passar dos anos, outras culturas foram agregadas ao artesanato local. Um exemplo é a arte de vidro a fogo, técnica italiana que dá formas diversas à matéria-prima. A artesã Maria de Fátima já lida com esse tipo de arte há dez anos. Natural de Laguna, Maria aprendeu a criar objetos em vidro com o auxilio de seu cunhado, que aprendeu com italianos. Miniaturas de bichos, bijuterias e objetos de decoração são algumas das criações da artesã que expõe suas obras na Alfândega diariamente.
Outros materiais também servem de base para a elaboração de lindas peças artísticas. Laura Pieri, Uruguaiana radicada em Florianópolis há trinta anos, usa o couro como base de suas pinturas. Mapas, retratos, imãs, marcadores de livro, chaveiros entre outras peças são criados sobre o couro, ganhando cor e vida. Para ela, o artesanato é fonte de sobrevivência e criatividade. “Meu trabalho é voltado para o turismo e vivo a partir de minha arte. Recebo muitos pedidos de encomenda e posso dizer que tenho como fonte única de renda o fruto de minha criatividade”, declara.

Laura Pieri usa o couro como base de suas pinturas
Várias feiras de artesanato podem ser visitadas em diversos cantos do estado. Em Florianópolis alguns pontos são mais visitados, entre eles a feirinha da Praça na Lagoa da Conceição, aos finais de semana; na Beira-Mar Norte, aos domingos; das Alfaias em Santo Antônio de Lisboa, também nos fins de semana; da praia dos Ingleses, mais restrita (um sábado sim, outro não); a feira no Ribeirão da Ilha (em frente à Igreja Matriz Nossa Senhora da Lapa, nos sábados e domingos, das 11h às 20h) e a Feira do Artesão Produtor, no centro, todas quartas e sextas-feiras. No prédio da Alfândega ao lado do Mercado Público também são disponibilizados produtos artesanais locais. Vale à pena conhecer um pouco mais dos encantos que a ilha da magia tem a oferecer!

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